O título desta publicação parece tender para a filosofia, talvez para a poesia ... ou, quiçá, se fique mesmo é pela psiquiatria ... pois deverá ser mesmo alucinada da cabecinha, aquela que já sente saudades de fazer um trabalho que levou anos a terminar, que deu imensas dores nas costas pela postura, que por várias vezes foi colocado de lado pois os pulsos e o antebraço agonizavam de dores, umas dores fininhas que começam no braço e terminam na alma ... literalmente!
Mas finalmente está pronta!! Já falei dela, há uns tempos atrás
aqui. E na verdade, a minha passadeira dava um romance ... eheheh ... que poderia começar mais ou menos assim : " naquela manhã, com um sorriso nos lábios e uma esperança imensa que fossem breves os trabalhos que a esperavam, lá foi a Teresa de revista na mão comprar as lãs e ... blá, blá, blá .... "
Acontece que os "trabalhos" estiveram longe de serem breves e aconteceu um precalço feio com a lã. A que comprei para encher não chegou e quando voltei a comprar já não encontrei igual. A lã tem um tom ligeiramente diferente, consegui que ficasse toda na barra, aparentemente não se nota segundo dizem, mas os meus olhos batem sempre lá, naquele pormenor que me faz um aperto no coração ... tanto trabalho ... deveria ter ficado tudo perfeitinho! Mas, o que não tem remédio, remediado está, e fica a lição para próximas aventuras, nunca comprar nada "à conta" pois a conta pode estar errada.
Para além do "drama" da lã :) que na verdade nem é assim tão grande, este trabalho tem a sua história e as suas motivações, esta é uma daquelas em que mistura o prazer com vontade, e foi mesmo isso que permitiu que esta passadeira ficasse pronta. Adoro fazer arraiolos, é para mim uma terapia excelente, a mente descansa e os movimentos tornam-se automáticos. Os pontos são grandes, os esquemas são grandes ... pelo que deixa livre a concentração, e o pensamento pode divagar por outras andanças que ninguém dá por nada, além de tudo mantém as mãos ocupadas e vê-se trabalho feito. Perfeito para aliviar o stress, mas muito desaconselhado para quem se queixa das "cruzes" ou dos "rinzes" como se diz na minha terra ( leia-se rins ou melhor ainda coluna , eheh)
E se por um lado sinto um contentamento pelo trabalho pronto e já colocadinho no lugar, por já não ver aquele saco enorme cheio de tela e lãs sempre fora do sítio, por outro sinto uma vontade grande de me meter em novos trabalhos... talvez um conjunto novo de tapetes para o quarto ... talvez uns paineis para a parede ... assim a imitar uns azulejos antigos em tons de azul ... acho que ficava giro, mas a razão diz-me para me manter afastada dos arraiolos ...a razão ... e o facto de ainda não ter encontrado o esquema, do que imaginei que gostaria de ver na tal parede ...
Quanto a dados técnicos, a passadeira tem aprox. 3,5 metros de comprimento por 75 cm de largura.