terça-feira, 12 de abril de 2011

As velhas artes

   

     Sou daquelas pessoas que guardam tudo!

     Guardo prendas e lembranças, mesmo aquelas com  que não me identifico muito. 
    Guardo os papeis de embrulho, guardo os lacinhos, uns porque penso voltar a utilizá-los, outros porque fazem parte da lembrança que quero guardar e recordar. Sou uma sentimentalista! 
    Posso garantir que em trinta e muitos anos de existencia, tenho já um consideravel arquivo de objectos de utilidade algo dúvidosa com os quais criei uma grande afectividade e não consigo desfazer-me deles, o que é um problema, grande problema ... ocupam espaço, destoam na decoração, mas ... fazem-me lembrar alguém ou um acontecimento, fazem parte da minha vida.
    Panos e toalhas com bordados e rendas, alguns muito antigos, estão religiosamente guardados. Nunca os utilizei, mas adoro pegar-lhes, sentir o cheiro do pano guardado, recordar-me das pessoas a quem perteceram, imaginar as suas vidas o carinho que depositaram naqueles enxovais, em tempos que não era fácil levar um enxoval. Gostava que soubessem que guardo os seus pedacinhos de vida, de sonhos, alguns pequenos tesouros, nem sempre com acabamentos perfeitos, nem sempre o pano é de linho, mas guardo o sentimento e o bem querer com que me os confiaram. 

    Estas duas peças que hoje mostro, foram-me oferecidas por uma senhora de Pontével, a D. Isilda, há já uns bons anos atrás. Guardei-as cuidadosamente mas perdi-lhes o sitio, até que há dias no meio de muitas lembranças lá estavam elas. Fiquei muito contente, até porque já as tinha procurado e julgava-as perdidas. Foi bom pegar-lhes e relembrar muitas memórias boas... não que eu seja  saudosista, mas a verdade  é que é bom recordar o que a vida nos vai deixando de melhor.

    Mas o que são estas peças?
   A primeira é uma algibeira, prendia-se ás saias de baixo com alfinetes, ou atada à cintura com uma fita, a saia de cima tinha uma abertura na costura do lado por onde se enfiava a mão e acedia à algibeira que servia para guardar o dinheiro e o lenço.  A segunda é uma "sogra" ou rodela, na verdade costumam ser maiores do que esta e servem para transportar objectos à cabeça. Eu pessoalmente já usei  na altura das vindimas para transportar o cesto das uvas à cabeça. Quanto ao nome de "sogra" acho curioso e não imagino a sua origem, mas por cá, em terras de Pontével é  assim que se chama.