domingo, 24 de agosto de 2014

A Passarola .... :)

    


   Corriam os primeiros anos do século XVIII, quando um jovem padre de seu nome Bartolomeu de Gusmão, sonhou que haveria de construir uma máquina voadora. 
    E, se bem o pensou, melhor o fez!! 
    Chamou-lhe "instrumento de andar pelo ar" e conseguiu do rei D. João V o financiamento do projecto. Entre projectos e experiências,  no ano de 1709, consegue elevar no ar, um balão de ar quente, ainda de pequena dimensão ... que sobe até ao tecto da sala. Facto testemunhado pelo rei e sua corte, e documentado por um cronista da época.

    A subida destes "instrumentos de andar pelo ar" impressionou a assistência, pelo que não seria de supor que tais experiências terminassem ... Imaginem só, que ousadia a deste jovem!! Querer voar ... 

"/.../Há quem afirme que o abandono das experiências foi motivado pela tremenda chacota que os ignorantes e invejosos fizeram do seu invento. Ainda antes das suas demonstrações junto à corte, os boatos circulavam pela capital. O povo alcunhava o padre de «Voador», e o seu engenho volante passou a ser chamado «Barcarola». Circulavam chacotas e pasquins ridicularizando o inventor. /.../ " -  Nuno Crato, A Passarola, Instituto Camões ...


    Mas também há quem diga que o sonho não termina aqui, que o padre construiu um balão de grandes dimensões e o baptizou de "Passarola", e que o tripulou desde o Castelo de S. Jorge até aterrar na Praça do Comércio  ... 1 km de voo pelos céus de Lisboa ... diz-se ... mas não se sabe se foi bem assim ...
    Entre o sonho de quem queria voar, e o escárnio de quem não acreditava ser possível,  nada sobrou do projecto original, a não ser o desenho de uma barca voadora, que segundo li, não passará de uma das muitas sátiras feitas ao invento do jovem padre ...

    74 anos depois, são dois franceses que conseguem ficar na história, como sendo os primeiros a voar num balão de ar quente.

    Lembrei-me desta história, depois de visitar uma exposição - Memórias da Cidade de Lisboa -  e lá estáva a Passarola ...  já não me lembrava dela desde que li o Memorial do Convento de José Saramago ... há muuuitos anos .... :) E porque é sempre bom sonhar, mesmo que pareça impossível de acontecer ... mesmo que seja o sonho ridicularizado por quase todos, de um padre doido que queria voar .... vale sempre a pena tentar!




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Amanhã vou à praia comer uma Bola de Berlim ;)

Era bem cedo: acordei!
Acordei com vontade de dormir um bocadinho mais, por isso acordei sem vontade de acordar e levantei-me sem vontade de me levantar.
Tomei o pequeno-almoço, arranjei-me e arranjei as crianças, sempre a pensar no bocadinho de sono em falta ...
Saímos! Fomos à praia ...
Fui à praia sem vontade de ir, o tempo nublado e o vento tiraram a vontade ... mas tinha prometido ás crianças ...
Chegámos !!
Arrepiei-me ... e arrependi-me ...
As crianças correram para a água ... arrepiei-me um bocadinho mais ...
Fiquei a vê-los ao longe: um olho num, o outro no outro a seguir os movimentos e os disparates.
Passou o senhor das Bolas de Berlim ... -"há com creme, sem creme e com chocolate ... olh'á bolinha".
- Para mim, com creme! - pensei - mas não posso - emendei logo de seguida o pensamento.
Vi as horas vezes sem conta, contei os minutos até chegar a hora do regresso.
Chamei-os ... não vieram!
Insisti ... reclamaram!
Finalmente em casa: os banhos, o almoço, a casa de banho cheia de areia ... as toalhas ... a roupa a lavar, deixá-los a almoçar e ir eu, finalmente tomar banho ...
Socorro, estou cansada ...
Almoçar, limpar o chão cheio de areia da casa de banho, fazer as camas que ficaram desfeitas de manhã , lavar o chão da cozinha, porque a areia também lá chegou ... estender roupa ... apanhar roupa ...
Chega!!!
- Mãeiiiiii, vamos para a rua andar de patins?
- Vamos pois!
Larguei a roupa por passar, atirei a esfregona para a dispensa, endireitei o tapete com a ponta do pé e lá fomos nós para a praceta andar de patins ... e de bicicleta ... e apanhar sol ... e flores secas ... e conversar com uma vizinha, que apesar de ser porta-com-porta passamos meses sem nos ver.
E gritámos alto pelo mais velho, que ficou no computador ... tão alto que todo o quarteirão deve ter ouvido ... ele veio á porta e para nos entendermos falámos ainda mais alto: ele na varanda; nós na praceta... e rimos pela figura que faziamos ...
Voltamos tarde para casa ... ás escondidas fiz uma salame de chocolate. Vão haver amúos quando perceberem que não amassaram a manteiga ... o chocolate e as bolachas ... mas eu compenso-os com  duas fatias de salame ;)
Quanto a mim, quando terminar este texto, vou limpar o que resta da salame nas minhas unhas ...
Amanhá vamos à praia ... :)
E a minha casa está limpa, cheira à felicidade dos momentos bons!!

Fiquem bem