segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A vida de uma mãe ...

    A vida nem sempre é perfeita ... melhor, a vida nunca é perfeita ... é da nossa responsabilidade fazer dela o melhor que pudermos ... Ao contrário do que normalmente se diz, conseguir extrair de momentos simples, grandes significados nem sempre é fácil, mas na verdade vale sempre a pena tentar. 
   Pelos blogues e páginas de facebook são mil vezes repetidas as mensagens dos momentos de felicidade ideais ... a família ... os sorrisos ... o pôr do sol ... pão quentinho com manteiga ... um sofá e uma manta ... uma lareira e um livro ... É quase impossível não ficar de sorriso e coração derretido com estas ideias. Então porque não andamos todos de sorriso de orelha a orelha e com o coração a bater melodias de "elevador" ... :) ?
    Para mim - e de psicologia e sociologia pouco percebo - acho que precisamos de mais ... mais desafios ... testar as nossas capacidades ... sentir que a massa cinzenta dentro do nosso crânio funciona e tem utilidade ... precisamos de sentir que alguém precisa de nós ... que quem nos faz falta está por perto. Precisamos de quebrar rotinas ... de ir um pouquinho mais longe do que fomos antes. Se não houver este entusiamo dentro de nós, não há pão quentinho com manteiga, nem pôr do sol ou lareiras que cheguem ... 
    Um dos meus momentos preferidos do dia é, quando posso, levar as crianças a pé  à escola, o ar fresco da manhã a bater na cara, a simples passagem pelo parque que fica no caminho, a bica -  não me consigo habituar ao nome e por isso continuo a pedir um cafézinhos s.f.f. - tomada na pastelaria com um balcão repleto de bolos que fazem salivar só com o olhar e muito mais com o cheiro que chega à porta. Se este momento "simples" chega para fazer  "a" diferença na minha felicidade geral ... isso eu não sei, mas lá que torna o meu dia bem mais agradável ...  não tenho dúvidas algumas.
    Mas as crianças crescem, o mais velho já não vai para a escola de mão dada, nem passa no parque, a mais nova ainda vai aos saltinhos no meio da relva e procura cada poça para testar a impermeabilidade do calçado, mas parece-me que por pouco tempo.
    Hoje está de chuva, não houve passeio a pé até à escola, a chuva e o tempo húmido dão-me "cabo" das costas, torço e retorço os ombros à procura da posição mais confortável ... hoje o dia está cinzento e eu também ... não sei se são as "dores" ou se senti falta daquele ar fresco da manhã a bater na cara ... 
    Eles vão crescer e a mais nova também vai deixar de passar pelo parque ... e eu vou ter saudades ... 



    Este é um ganso Tilda, já fez mais de um ano que guardei o molde na pasta dos trabalhos que quero fazer, mas tem sido adiado, porque passaram à frente outros trabalhos que pareciam mais úteis, até que a semana passada decidi meter mãos à obra. Deu-me um gozo imenso fazê-lo, a mais nova ajudou ... só fizemos disparate e rimos muitos ... agora o ganso, sem grande utilidade está ali mesmo ao lado da janela da cozinha, pode não servir para nada, mas fica muito bem ao pé da alfazema !! :)

Fiquem bem ...





10 comentários:

  1. Te li e te entendo muito bem...Eles crescem, não mais querem dar as mãos e de repente, fica parecendo que estamos vazias...Mas assim não é:;; Temos muito a dar...Adorei a gansa também! bjs,m chica

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  2. Olá Teresa, gostei muito de ler o teu texto, mas quando os filhos crescem ainda precisam mais de nós, acredita!
    Já conhecia o teu trabalho do face, adorei o blog e o ganso também.
    bjs
    Sofia Alfonso

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  3. Olá Teresa! Como eu te compreendo!!! As minhas já não me ligam há muito tempo...
    Adorei o ganso está lindo, tal como tudo o que tu fazes!
    Beijinhos
    Dina

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  4. Revi-me na tua reflexão - o tempo e a vida têm estado muito cinzentos ( negros, às vezes) para estas bandas. Fico esperando a nuvem passar, tratando de me ocupar.
    O teu ganso está uma delícia.
    Beijinhos

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  5. Pois é isso mesmo as crianças crescem rápido,e deixam de querer passar no jardim. Tenho saudades do tempo em que os tambem íam ao jardim que ficava mesmo ao lado da escola.
    Ficou muito fofo o ganso!

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  6. Acho que muita gente pensa como tu. É inevitavel que as crias não ganhem asas e achem que dar a mão é para os mais pequenos.
    Quanto ao ganso, se não tiver utilidade é porque não queres. Alegra o teu dia não alegra? então pronte tem a utilidade de te fazer feliz quando para ele olhas.. alem de que está muito bonito. Beijocas grandes

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  7. Parei, como tu, depois do calcanhar. Digamos que a minha meia hiberna. Desistir? Nunca!
    Beijo

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  8. Olá amiga,

    lindo texto, bela mensagem. É assim a vida, temos de aproveitar todos os momentos. Quando os filhos são pequenos queremos que eles cresçam, depois crescem (ainda bem) fica a saudade desses tempos. Sempre que olhares para o ganso hás-de recordar que foi feito com muito carinho e com a ajuda da filhota:))

    Beijinhos e boa semana
    São

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  9. Obrigada pela visita. Tens trabalhos muito lindos aqui. Bjs

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  10. Oi Teresa, gosto deste teu cantinho porque aqui tem história, tem prosa, tem reflexão. Isso tudo faz parte da vida, aproveite porque os filhos crescem rápido e alçam vôo dependendo do tamanho das asas que a gente deu a eles. Os meus são verdadeiros ícaros e voaram todos para longe, cada qual em busca do seu sol. O que resta são as lembranças, exatamente essas do caminho da escola. Curta muito, costure lindos gansos e preserve este pois ele vai ficar na memória afetiva da tua filha. Beijos e felicidades
    Joana

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