Em dias cinzentos sabe bem mostrar borboletas. É uma lufada de cores fortes e alegres que contrasta com o cinzento dos tempos. "Tempos" no plural, porque cinzento não anda só o tempo, mas os tempos em que vivemos.
Toda a gente fala de crise com sapiência, desde economistas de renome ao cidadão anónimo, todos já imaginavam que mais tarde ou mais cedo aconteceria, simplesmente porque o sistema se tornou insustentável, e no geral consumimos mais do que produzimos e gastamos mais do que podemos. Então instala-se a pergunta, se toda a gente sabia, porque é que deixaram acontecer? Para isso eu tenho uma explicação que vai para além dos números e que tem a ver com o analfabetismo funcional de todos nós, principalmente daqueles a quem deveria ser exigida lúcidez na tomada de decisões e responsabilidade na execução das mesmas. Não sei se vamos ter FMI, mas parece que desempregados e pobres, vamos ter muitos. Gostava de acreditar que é apenas uma crise, que vamos todos sofrer restrições ao nosso bem estar, mas que comida nas mesas e educação nas escolas não vai faltar. Gostaria de acreditar que depois de controlada a crise, os problemas que a provocaram, ficariam resolvidos e o esforço de todos nós teria valido a pena, nem que seja em proveito da geração seguinte. Pois bem, mas não acredito!! E porquê? Porque uma vez mais vejo procurarem-se as soluções mais rápidas para resolver problemas a curto prazo e não vejo serem tomadas medidas que resolvam os problemas estruturais a longo prazo. Na educação, vejo tudo continuar na mesma, ensino sem qualidade, alunos que se esfaqueiam à porta da escola, que agridem professores, onde não há um sentimento de responsabilidade nem de respeito, de ninguém por ninguém. Claro, eu sei que há escolas que funcionam, professores que se esforçam, alunos empenhados, pais atentos ... mas, na estatistica global são a excepção, quando deveriam ser a regra. Podemos falar também da saúde, da segurança, da justiça, mas acredito que todos conhecemos os casos que vão sendo tornados publicos pelos média, ou os casos que já sentimos na pele. E eu tenho umas quantas histórias que de tão absurdas se tornam hilariantes. Sim ... eu sei que só se fala desses casos, que não é noticia de telejornal o tribunal que funciona, o hospital que não tem lista de espera, ou o distrito onde a criminalidade é insignificante. Mas será que isso existe?!?!? É possivel ... mas confesso que desconheço.
E agora, a volta que as palavras dão, um texto que começou inspirado nas cores das borboletas acaba nestas palavras cinzentas como o tempo ... ou como os tempos. Quando liguei o computador com a intensão de mostrar estes pequenos trabalhos aqui no blog, estava como se diz na minha terra, e acredito que em muitas outras, "com um olho no burro e outro no cigano" e não se atribua a estas palavras qualquer conotação racista ... nada disso!! Apenas quer dizer que enquanto tiro as fotos aos trabalhos estou a tomar atenção a uma voz que
fala de empreendedorismo. Diz que "devemos sair do sofá, deixar as lamentações, deixar de tentar atingir objectivos impossíveis ou pelo menos improváveis e ir à luta do que queremos e pelo que acreditamos!" Mais palavra, menos palavra, era isto o que se dizia. O lógico, será concordar com cada sílaba dita e começar hoje mesmo essa árdua tarefa, o problema é só saber por onde começar ...
E pronto, a borboleta castanha já está no meu porta-chaves , as outras vão voar para outras bandas ....