Há muitos anos atrás, estava eu a entrar na fase da adolescência, quando vi um filme, do qual me recordo particularmente de uma cena. Não me perguntem o título do filme, nem os actores que nele entravam, não sou muito boa nisso, aliás nem da história me lembro muito bem. Mas, quanto à cena do filme era mais ou menos isto - e vou utilizar palavras minhas, porque as outras há muito que se desvaneceram na minha memória.
- Quando a senhora viu a menina a chorar, aproximou-se dela, retirou da sua bolsa um lenço branco com um bordado muito bonito e entregou-lho. A menina intrigada com tal oferta, perguntou à senhora o que era, ao que esta respondeu que se tratava de um lenço para limpar as lágrimas. A menina não escondeu a surpresa, como puderia limpar lágrimas e ranho, a tão belo adereço? Então a senhora explicou-lhe que antigamente não havia lenços de papel e as pessoas limpavam as lágrimas a lenços de pano.
Imagino, e isto agora já é uma dedução minha, que a menina tenha ficado a pensar que seria muito melhor chorar nos tempos antigos, quando haviam belos lenços bordados para consolar as lágrimas, em vez de lenços de papel. Isto, para quem os tinha, evidentemente, porque os outros assoavam o nariz ás costas da mão e limpavam as lágrimas com a ponta dos dedos, mas isso daria outra história.
Inspirada pela cena do filme, e motivada pelo romantismo próprio da idade, também eu coloquei um lenço branco com um bonito bordado na minha mochila da escola, não fosse algum dia ter que recolher as lágrimas de alguém e nada mais ter à mão do que um miserável lenço de papel. O tempo foi passando e para minha tristeza ninguém chorou à minha volta. O lenço branco, foi tomando as tonalidades dos livros, dos dossiers e das canetas que com ele coabitavam na mochila, ou seja, ficou muito sujo, foi para lavar e já não regressou à mochila.
Lembrei-me desta pequena história a propósito desta toalha.
Este é o tipo de trabalho que mais gosto de fazer, acho lindo o resultado, o linho bordado ... tem um romantismo, um encanto ... acho que é intemporal. Não me canso de olhar para ela, e já tenho outras ideias para aplicar este motivo, que me faz lembrar os enxovais antigos. É uma toalha em linho, onde utilizei vários pontos: grilhão, corrente e pé de galo, tem também a renda que foi cosida à mão. Este desenho está na revista Arteideias nº 152.
E já agora, porque não voltar a colocar na bolsa, o tal lencinho branco com o bonito bordado? ... desta vez, acho que vai ter uso ... não sei ... digo eu ...